quarta-feira, agosto 08, 2007

Pesadelos recorrentes são a imagem difusa em que os sonhos se transformaram...

Um dos pesadelos recorrentes de quem frequentou a universidade é constatar, a meio do sono, que ainda não acabou o curso. Que há cadeiras por terminar, ou - basta - que falta passar a uma cadeira. Que o exame é amanhã e que já não há tempo para estudar. Que, estando prestes a fazer algo para cuja prática o curso é requisito, somos descobertos. Apanhados, como naquele outro pesadelo em que se é apanhado nu a atravessar a rua. É um sonho universal. Jung, Freud, Perls, todos os grandes psicanalistas o estudaram. Alguns atribuem este pesadelo a um trauma com longos dias e longas noites de estudo. Outros, ao horror com que algumas pessoas ficaram da sua passagem pela Universidade. Outros ainda ao receio de assumir responsabilidades. Ou à aproximação de um teste na nossa vida. Há até aqueles (Wilhelm Stekel) que explicam este sonho com base no - tch, tch, tch, tchan - sexo. Independentemente das várias interpretações, num ponto estão todos de acordo: pesadelos como este só acontecem a quem concluiu o curso. Que a actualidade seja rasa e maçadora é uma inevitabilidade que se aceita. Agora que caricature um dos mais fascinantes clássicos do onirismo é que já começa a ser pouco simpático..

Os quartos e as salas onde passámos muito tempo, os corredores por onde passámos muitas vezes , dão origem a memórias fortes e recorrentes. Abandonados os lugares, com o avançar dos anos, essas memórias vão-se esbatendo, ao ponto de só ocorrerem imediatamente antes de adormecer ou já durante o sono. Até que um dia, quando regressamos aos locais habitados, o termo de comparação já não é a memória que deles tivemos mas a imagem difusa em que os sonhos os transformaram.

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